terça-feira, fevereiro 27, 2007

Mesquinharia


Gente mesquinha não vê resultados. Ficam tão apegadas ao burocrático da coisa, ao que é pequeno e sem importância, que não conseguem ver o todo, não conseguem ver o que é bom. São cegas, perdidas em contas de migalhas. Gente mesquinha!

sábado, fevereiro 10, 2007

Cai no buraco

Sexta-feira, dia 9 de fevereiro, 22h. Saio do trabalho para ir para casa, pego um trecho do elevado. Para entrar na Consolação, tudo parado. Para fugir do trânsito, sigo em frente, sem saber direito onde vou parar. Desvio pela Santa Cecília, Higienópolis. Mais trânsito. Uma rua parada só por causa de um "bendito" caminhão de lixo. Não sei porque eles fazem questão de ficar bem no meio da rua, talvez para proteger os lixeiros que atravessam com os sacos de lixo, e os jogam de qualquer jeito no caminhão. Muitas vezes, deixando restos de comida caírem pelo caminho. Pego outra rua para fugir do caminhão. Vou por dentro até pegar a Consolação pela rua Sergipe. Esqueço que hoje é dia de trânsito no caminho de casa, porque o reduto gay fica reunido no meio das ruas próximas de casa. Passo o desvio que normalmente faço neste dia, pela Rua Fernando Albuquerque. Sigo em frente, a tempo de pegar o desvio da Avenida Paulista. O trânsito livre, ganho uma certa velocidade na descida para a curva que leva à avenida que tem a cara da cidade. Um dos acessos mais usados para quem vem do centro, ou da zona oeste. Por ali passam muitos carros, ônibus... Cansada, vou em direção à minha casa, por um caminho que raramente faço. Quando estou bem na curva, vejo um buraco enorme, fundo e largo, à minha frente. Não há mais tempo de desviar. Freio bruscamente. Um estrondo. Caio e passo pelo buraco, seco, o carro passa. Bate todinho em baixo. Sigo tremendo. De tão nervosa, perco a entrada da Rua Hadock Lobo, entro na Augusta. Paro o carro, as perna bambas, o corpo todo tremendo, em choque. Olho o carro, que aparentemente não tem nada. Sigo, ainda em choque até chegar em casa. Só consigo descrever, não consigo assimilar.

segunda-feira, fevereiro 05, 2007

Em defesa do fotógrafo Tiago Brandão


Você acredita em Verdade Absoluta? Pois isso existe e tem até dono!

No mundo da Internet, tudo pode, pelo menos é o que pessoas despreparadas acham. Tem um blog aí chamado “Verdade Absoluta” (www.verdadeabsoluta.net), feito por um cara da área de TI. O blog se diz de “entretenimento” e comenta notícias que saíram nos jornais, revistas, TV, seja lá que meio for, qualquer um. O cara faz lá seus julgamentos, ou deixa para os internautas fazerem. Até aí, tudo bem. Ele está no direito dele, tem até umas coisas bacaninhas, outras bobas... Normal.

O problema foi quando o “dono da verdade” resolveu atacar um profissional por ter exercido a sua profissão. O fotógrafo Tiago Brandão, de Franca, registrou imagens de uma mulher salvando o seu filho após o menino ter caído em um poço de aproximadamente 4 metros de profundidade. A mulher foi ajudada por outras pessoas que estavam no local e tudo acabou bem, apesar do susto. Tiago Brandão estava lá, fazendo uma matéria, quando tudo aconteceu. E, como bom profissional, registrou o momento. Suas fotos foram publicadas em diversos jornais, os principais do país, além de terem sido mostradas em programas da Rede Globo. Acho que isso todos sabem.

O problema é que o tal “Verdade Absoluta” reproduziu as fotos (as mesmas que reproduzo acima) e o dono do blog escreveu um texto julgando a atitude do fotógrafo, além de também ter dado uma cutucada na mãe, falado que ela foi irresponsável ao deixar o filho tão próximo do poço. Diz o Melo, o responsável pelo referido blog, o “dono da verdade”, que “Tiago preferiu fotografar a desgraça a ajudar a pobre mulher”. Não foi com estas palavras, mas algo parecido, com o mesmo sentido. Fala como se o fotógrafo, em segundos, tivesse pensando: “vou ganhar uma grana com estas fotos!” Peraí! O cara estava no local, já fotografando, acontece uma coisa dessas, inesperada, outras pessoas estão ajudando... Ele fez o que tinha de fazer, o que todo fotógrafo faria: registrar os fatos, registrar a cena.

Oras, se todo fotógrafo ou cinegrafista resolvesse largar tudo para ajudar as pessoas, o que seria do jornalismo? Quem registraria os fatos? Vamos lá, ao invés de fotografar, ou gravar um conflito, o profissional larga a câmera e sai no meio do fogo cruzado. Ao invés de fotografar a miséria, o cara larga tudo para alimentar as pessoas. Ao invés de fotografar a enchente, o fotógrafo sai de barquinho socorrendo as pessoas.

Há de se entender que o registro daquelas imagens também foi uma forma de ajudar, também é um compromisso do profissional com a sociedade. É uma forma de denunciar, de mostrar para o poder público que é necessária alguma providência para que crianças não caiam mais no poço, porque nem sempre haverá uma mãe para socorrer, pessoas para ajudar. Com o registro feito, é possível exigir providência ao poder público, porque o fato está documentado, foi amplamente divulgado, saiu em todos os jornais. É este o nosso trabalho: alertar. E talvez salvar vidas, mas de outra forma.

Nem se discute que, se o Tiago estivesse sozinho no local, provavelmente teria pulado para ajudar no resgate, mas esta é outra discussão.

Se tem alguém se aproveitando indevidamente do ocorrido, este alguém é o senhor Melo, responsável pelo “Verdade Absoluta”. O “dono da verdade” está prestando um deserviço, incitando as pessoas a xingarem o fotógrafo no Orkut. O Tiago teve até de deletar o perfil dele do site de relacionamentos. E as pessoas falam que ele cometeu orkutício, não é para menos, xingaram até o filho dele por lá. E tem gente xingando o nosso colega sem parar, seja nos comentários do “Verdade Absoluta”, pelo Orkut dos parentes e conhecidos, seja no fotoblog, por email... um horror!

Eu me pergunto: é para isso que serve a Internet? É para isso que presta a interatividade que ela permite? É para isso que serve um blog? Não deveria, mas as pessoas não sabem qual é o seu limite. Confundem liberdade de expressão com agressão. É uma pena. Enquanto isso, nós continuamos fazendo o nosso trabalho, que é registrar fatos, por meio de imagens, texto, enquanto a blogsfera permitir, ou certos “donos da verdade”.

PS. Não tenho nada contra blogs, aliás existem blogs maravilhosos, muito bem feitos, conscientes, feitos por jornalistas ou não, mas acima de tudo feito por pessoas de bom senso.