O choro veio de repente, as lágrimas romperam meus olhos sem aviso, assim como o buraco que se abriu nas obras do metrô na tarde da última sexta-feira.
O choro veio assim de repente, o choro veio com a notícia: “o corpo da aposentada Abgail Rossi de Azevedo, 75, foi encontrado”. Não, eu não conhecia a Dona Abgail. Chorei porque caímos todos, paulistanos, naquele buraco. Todos pegos de surpresa, como a Dona Abgail. Chorei porque estamos no escuro, sozinhos, a espera de alguém que nos socorra. O socorro não chega. Chorei porque é muito triste alguém, do nada, desaparecer. Chorei porque a Dona Abgail era uma senhora ativa, cheia de vida, andando numa rua a caminho de casa. Chorei porque os que a esperam continuarão a esperá-la.
A cratera abriu-se em nossa vida e ficamos sem chão diante da irresponsabilidade de alguns. A cratera abriu-se e deixou a mostra as nossas fragilidades. Sentimos-nos soterrados pela sensação de insegurança que nos ronda. Soterrados numa cratera chamada São Paulo.
Um comentário:
Realmente, mto triste isso, eo fikei mto triste tbm qnd soube dessa senhora, coitada, naum teve culpa de nada, e, provavelmente, naum entendeu nda tbm...
Enfim...
O texto tah lindooo (como sempri) e q bom q vc n abandonou a vila ^^
Bjooss =**
Postar um comentário